A Praia de Faro vai passar a ter menos trânsito e a medida poderá ser aplicada já no próximo Verão.
A Câmara de Faro avançou para a compra de um terreno de quase 50 mil metros quadrados junto à zona nascente do Aeroporto de Faro, onde pretende criar um parque de apoio à praia que poderá ter até 1500 lugares.
Ao mesmo tempo, será criado um circuito de comboio turístico que leve os veraneantes à praia propriamente dita.
O modelo a adoptar, no futuro, não está ainda totalmente definido, mas tem na sua base a redução drástica do número de veículos que circulam e podem estacionar na parte farense da Península do Ancão.
O investimento de cerca de 250 mil euros na compra dos terrenos é feito pela autarquia farense, mas a obra em si será financiada pelo Polis Litoral da Ria Formosa. Assim, a bola está do lado da Sociedade Polis Ria Formosa, que gere este programa de ordenamento do território.
Este passo é tomado numa altura em que já existe «um ante-projecto aprovado» pela Sociedade Polis, da autoria do arquitecto Nuno Brandão, que venceu o concurso de ideias lançado há cerca de dois anos para a requalificação da Praia de Faro, revelou o presidente da Câmara de Faro José Apolinário, após a assinatura da escritura de compra e venda dos terrenos.
Apesar de a ideia global de Nuno Brandão constituir apenas «uma base de trabalho» para aquilo que virá a ser feito, ao nível da requalificação urbana, na Praia de Faro, o projecto do parque de estacionamento exterior, um dos pontos altos da proposta do arquitecto português, ficará a seu cargo.
Segundo José Apolinário, o investimento agora feito poderá começar a dar frutos já no próximo Verão. Mesmo que não avance a obra, «uma terraplanagem» já irá permitir que os utentes da Praia de Faro utilizem este espaço para deixar os seus veículos.
Resta definir uma solução para os transportar para a praia que, admitiu o autarca, deverá passar por um comboio turístico «vaivém» semelhante ao que já existe em Faro e faz um circuito na Baixa da capital algarvia.
Talvez antecipando críticas dos seus adversários políticos nas Eleições Autárquicas que se avizinham, José Apolinário aproveitou ainda para explicar o porquê de ser a autarquia a avançar para a compra do terreno, quando esta é uma obra do Polis.
«A Sociedade Polis é uma estrutura temporária. Vai gerir os fundos comunitários até 2013 e depois extinguir-se-á. O terreno ficará propriedade do município e, segundo o que está previsto, será a Sociedade Polis a avançar com a obra. Quando esta se extinguir, o parque de estacionamento e a obra passam para a autarquia».
Neste momento, a maior dúvida está ligada ao modelo de gestão do tráfego dentro da Praia de Faro. Da parte da Sociedade Polis, há a vontade de limitar o acesso a moradores e veículos prioritários.
José Apolinário, por seu lado, julga que podem ser ponderadas outras soluções, nomeadamente a imposição de «um limite de carga», a partir do qual seria vedado o acesso a todos os veículos que não possuíssem autorização privilegiada de acesso.
No curto prazo e para cumprir a meta de ter o sistema a funcionar no ano que vem, há que levar a cabo algumas intervenções, que viabilizem a circulação de um comboio turístico com várias carruagens.
«Senão, do lado nascente, não passa da zona do restaurante Zé Maria», ilustrou José Apolinário.
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