sexta-feira, 9 de outubro de 2009

José Apolinário: Saber ouvir é importante

Um dedo de conversa depressa se torna em dois e, mais vezes que menos, em três ou quatro. É assim o estilo de campanha de José Apolinário: a conversa só acaba quando o eleitor estiver satisfeito.

O recandidato do PS à Câmara de Faro já está na rua a tentar convencer os farenses a dar-lhe «uma segunda oportunidade» nas eleições de dia 11 de Outubro.

A primeira grande acção de rua da campanha do PS, em Faro, foi promovida na passada sexta-feira, no Mercado Municipal. Não foi à toa. Apolinário, cedo se provou, tem ali muitos amigos e apoiantes confessos. Afinal, foi já no actual mandato que a infra-estrutura reabriu ao público, depois de uma longa renovação e de muitas incertezas.

As promessas de votos, por parte de operadores do mercado, mas também de clientes, poucas vezes foram perturbadas por palavras menos simpáticas. E, mesmo essas, eram ditas ao longe e não na cara do candidato. Já as palavras de apoio eram preparadas com antecedência, assim que a comitiva era identificada.

Não que a vida dos operadores esteja fácil. Uma vendedora do sector da fruta arranjava a sua banca de costas voltadas para o rebuliço, com a intenção, depressa confessada, de mostrar a sua indignação. «Isto assim é impossível fazer negócio.

Como é que nós vendemos o nosso produto com tanta gente a vender aí à porta sem licença, mais barato», referiu aos jornalistas, em jeito de justificação.

José Apolinário depressa veio defender a sua causa, de braço em torno dos ombros da vendedora e olhos nos olhos, num jeito persuasivo, lembrando que tem feito por trazer lojas-âncora para o Mercado, para ajudar a melhorar o negócio aos operadores. Os argumentos do candidato depressa amainaram a indignação da vendedora, que até confessou, com um sorriso, que o seu voto estava destinado aos socialistas.

A preocupação e interesse que José Apolinário demonstra em relação aos problemas de todos que o abordam é, provavelmente, um dos principais trunfos do socialista. Pode ser, ao mesmo tempo, vista como uma desvantagem, já que, ao contrário de outros políticos, as suas acções de campanha acabam por ser mais lentas, logo, potencialmente menos abrangentes.

Apesar de a campanha, nos bastidores, estar a ser marcada por diversas polémicas e palavras duras, esse antagonismo não foi perceptível nem no mercado, nem durante as outras acções do dia.

Mesmo numa sessão no café Pátio das Letras, onde discursou para um público onde se contavam muitos agentes culturais, o ambiente foi sempre ameno, apesar da presença de contestatários assumidos à política cultural do município e elementos de outras forças políticas.

A prova de fogo para José Apolinário promete mesmo ser a campanha no interior do concelho, nomeadamente nas zonas que ainda não estão abrangidas pela rede pública de águas e esgotos.

Os argumentos do presidente da Câmara, que há muito acusa o PSD de ter inviabilizado o avanço da obra de abastecimento de água e esgotos ao interior do concelho, não chegaram para convencer um cliente do mercado que diz viver sem acesso a estes bens «a 600 metros da placa de Faro».

Um indício que as populações das zonas ainda por servir podem ser um desafio bem grande para Apolinário.

in http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=36741

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